(http://www.publico.pt/Ciências/mariano-gago-no-mundo-da-investigacao-cientifica-nao-ha-certezas-para-o-futuro_1436173)
Mas que tremenda hipocrisia. Isto é o total desplante. Então de quem tem um acordo vitalício com o IST podem vir este tipo de afirmações? Isto evidentemente pode ter várias leituras entre as quais se destaca a seguinte: o Ministro não publica, logo não é cientista, logo faz sentido ele poder ter um contrato sem termo. Mas há aqui algo estranho: um Ministro que há poucas semanas anunciava publicamente o fim da precariedade dos pós-docs, e que quer criar vínculos contratuais, vem agora dizer que nunca haverá estabilidade? Em que ficamos? Aliás, a premissa de que é necessaria instabilidade para produzir ciência é uma falácia. Eu acredito honestamente no contrário: alguém com um vínculo precário não está interessado em criar, mas sim em cumprir os objectivos inscritos no seu projecto particular. Se pensarmos um pouco, poderíamos estender esta lógica viciada a qualquer actividade, e passaríamos a ter uma sociedade de precários. Depois, a criação das posições de investigadores auxiliares, previstos nos esatutos das Universidade de cariz fundacional, não visam também a estabilidade? Mais uma vez, vamos sem rumo aparente, e só o Ministro sabe que lógica é esta. Visitem o blog Scientias...
Sunday, May 9, 2010
A família
A família ainda é o que era... e pela família fazemos todos os sacríficios, incluindo continuar a ver a família dos outros a orientar-se à conta do dinheiro de todos e a todos prejudicando.
Mais um caso paradigmático, que me chegou aos ouvidos. Uma dada senhora, que por linhas travessas (assuntos de alcova, entenda-se) passou a fazer parte de uma dada família de supostos iluminados, docentes de uma dada universidade pública portuguesa. Como estava numa de ciência, e até nem era burra, concluiu a sua tese de doutoramento, como aliás, 99% das pessoas que se propõem fazê-lo. Esta ciência é a tal mesma ciência-chique que alguns gostam de apregoar que fazem, quando têm muito dinheiro e não precisam de contribuir para o bem estar da sociedade. Mas fazem-no, para demonstrar o quão bons católicos que são, que dedicados, que esforçados, que inteligentes, e que cidadãos exemplares, e porque se correr mal e a bolsa acabar, hélas!!, o paizinho, a empresa da família, o status social, ou a família do marido hão de vir em nosso auxílio, e resolver tudo. Bendito pára-quedas genético. E ainda dizem que o dinheiro não traz felicidade. É que neste Portugalzinho das cunhas e dos favores ainda há gente hipócrita ao ponto de se achar no mesmo barco dos que fazem certas coisas por pura necessidade ou por vocação: "vejam, eu estou ao vosso nível, eu também sou pobrezinho. Eu podia estar a receber 10000€/mês na empresa do meu pai, mas não, quero fazer ciência e estou a receber uma bolsa de 980€ mensais, mas só durante 4 anos, porque a seguir tenho mesmo de ir receber os tais 100000€/mês. Que bom que foi conviver com os pobrezinhos, tanto que aprendi a pôr a mão na massa e a trabalhar a sério, uma vez que fosse. Mas vamos lá acabar com isto, que me estão a rebocar o Aston Martin que deixei estacionado em cima do passeio."
E então, pôs-se as influências a funcionar. Nessa universidade, não há contratações há alguns anos, mas curiosamente vão entrando alguns. E recebem por isso. E esta criatura de que tenho conhecimento já lá está, sem concurso, sem reunir condições para lá leccionar, pois era uma recém doutorado sem qualquer experiência docente no momento do "convite". Mas está lá, de pedra e cal, enquanto que os sem sangue azul estão cá fora. Uns com bolsas, outros sem, uns desterrados, outros desempregados, e a maioria frustrados. Digam-me lá se não vivemos no obscurantismo.
Mais um caso paradigmático, que me chegou aos ouvidos. Uma dada senhora, que por linhas travessas (assuntos de alcova, entenda-se) passou a fazer parte de uma dada família de supostos iluminados, docentes de uma dada universidade pública portuguesa. Como estava numa de ciência, e até nem era burra, concluiu a sua tese de doutoramento, como aliás, 99% das pessoas que se propõem fazê-lo. Esta ciência é a tal mesma ciência-chique que alguns gostam de apregoar que fazem, quando têm muito dinheiro e não precisam de contribuir para o bem estar da sociedade. Mas fazem-no, para demonstrar o quão bons católicos que são, que dedicados, que esforçados, que inteligentes, e que cidadãos exemplares, e porque se correr mal e a bolsa acabar, hélas!!, o paizinho, a empresa da família, o status social, ou a família do marido hão de vir em nosso auxílio, e resolver tudo. Bendito pára-quedas genético. E ainda dizem que o dinheiro não traz felicidade. É que neste Portugalzinho das cunhas e dos favores ainda há gente hipócrita ao ponto de se achar no mesmo barco dos que fazem certas coisas por pura necessidade ou por vocação: "vejam, eu estou ao vosso nível, eu também sou pobrezinho. Eu podia estar a receber 10000€/mês na empresa do meu pai, mas não, quero fazer ciência e estou a receber uma bolsa de 980€ mensais, mas só durante 4 anos, porque a seguir tenho mesmo de ir receber os tais 100000€/mês. Que bom que foi conviver com os pobrezinhos, tanto que aprendi a pôr a mão na massa e a trabalhar a sério, uma vez que fosse. Mas vamos lá acabar com isto, que me estão a rebocar o Aston Martin que deixei estacionado em cima do passeio."
E então, pôs-se as influências a funcionar. Nessa universidade, não há contratações há alguns anos, mas curiosamente vão entrando alguns. E recebem por isso. E esta criatura de que tenho conhecimento já lá está, sem concurso, sem reunir condições para lá leccionar, pois era uma recém doutorado sem qualquer experiência docente no momento do "convite". Mas está lá, de pedra e cal, enquanto que os sem sangue azul estão cá fora. Uns com bolsas, outros sem, uns desterrados, outros desempregados, e a maioria frustrados. Digam-me lá se não vivemos no obscurantismo.
Friday, May 7, 2010
Ciência perdida
O MCTES faz de forma recorrente anúncios de mais bolsas, mais incentivos, mais planos e projectos, mais aberturas de iniciativas, em suma, maior disponibilização de verbas para que se faça mais investigação em Portugal. Faz estes anúncios dando sempre a entender de que mais é melhor, e que agora sim, estaremos no bom caminho para o desenvolvimento científico nacional. Traçam-se objectivos e definem-se metas, sem que se avaliem conveniente e publicamente o sucesso de iniciativas anteriores. Confesso que a mim me faz alguma confusão, já para nem dizer que me repugna, o facto de se fazerem anúncios avulsos, sem uma ulterior definição de uma política para o sector, e sem se fazer um esforço apurado dos resultados dos programas anteriormente anunciados e implementados. Parece que tudo se faz aos solavancos, de forma desgarrada, sem nunca se conseguir exactamente acertar no cerne da questão. E estes anúncios vão surgindo, de forma consistente e sistemática, sem que haja um aumento nem da qualidade, nem tão pouco do impacto da Ciência no bem-estar dos cidadãos e das empresas. Inutilmente, portanto.
Eu creio que este problema da desustruturação da política científica nacional decorre de um erro que se comete de forma contínua. Não se fala com quem se deve, nem nunca se define uma série de parceiros com quem se discuta. Quando a questão é a definição de vencimentos, salários e bolsas, tão pouco há discussões com parceiros sociais. Não há uma organização que de uma forma concreta represente os bolseiros, por exemplo, e as discussões com sindicatos do ensino superior não abarcam os cientistas. Em relação à definição das políticas científicas, as discussões com o Conselho dos Laboratórios Associados está inquinada à nascença. As direcções dos LAs são tudo menos 100% democráticas, e representam na maioria das vezes as ambições pessoais dos seus constituintes, não resultando portanto da vontade expressa dos membros dos próprios LAs. Assim, e quando as necessidades destes são criadas, são automaticamente transformadas em "necessidades reais da ciência nacional e de resolução premente", e são resolvidas. São necessiudades-umbigo travestidas de de "interesse nacional". Não há nenhum forum de discussão, objectivo, crítico e válido, sem estar inquinado pelos egoísmos mesquinhos e habitado por quintas e quintais da maioria das vacas sagradas que compõem a entourage científica do Ministério. É fácil ver quem é "considerado": quem surge em programas de televisão de forma sistemática (4XCiência é um excelente exemplo, pela RTP, pago por todos nós, e em que habitam as mais estranhas e incompetentes criaturas da nossa praça), os júris, as comissões de honra, os mandatários para a Ciência das mais variadas candidaturas, os supostos peritos que vendem as baboseiras nos noticários, os vaidosos dos eventos científico-sociais, os colunáveis dos prémios da ciência, enfim, toda este conjunto de gente para quem a actividade científica é um trampolim de ascensão social. A ciência-chique. E no meio disto tudo, anda a verdadeira Ciência perdida, anda o dinheiro a ser gasto e as oportunidades a se perderem.
Por mais que se anuncie dinheiro, como investimento ou como despesa, não será nunca possível manter um rumo com mão segura, se não se sabe para onde dirigir a nau. E não serão as paredes dos gabinetes ministeriais interlocutores à altura de qualquer ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Criem-se plataformas de investigadores desalinhados, independentes, criteriosos e honestos, e logo a direcção será clara. Mas investigadores sem pedigree, porque os puro-sangues preferem os ares condicionados dos salões de baile pagos pelo erário público. Gaste-se menos em caviar e marketing, e mais em equipamentos, bolsas, químicos e estágios e ganharemos todos. Sem qualquer dúvida.
Eu creio que este problema da desustruturação da política científica nacional decorre de um erro que se comete de forma contínua. Não se fala com quem se deve, nem nunca se define uma série de parceiros com quem se discuta. Quando a questão é a definição de vencimentos, salários e bolsas, tão pouco há discussões com parceiros sociais. Não há uma organização que de uma forma concreta represente os bolseiros, por exemplo, e as discussões com sindicatos do ensino superior não abarcam os cientistas. Em relação à definição das políticas científicas, as discussões com o Conselho dos Laboratórios Associados está inquinada à nascença. As direcções dos LAs são tudo menos 100% democráticas, e representam na maioria das vezes as ambições pessoais dos seus constituintes, não resultando portanto da vontade expressa dos membros dos próprios LAs. Assim, e quando as necessidades destes são criadas, são automaticamente transformadas em "necessidades reais da ciência nacional e de resolução premente", e são resolvidas. São necessiudades-umbigo travestidas de de "interesse nacional". Não há nenhum forum de discussão, objectivo, crítico e válido, sem estar inquinado pelos egoísmos mesquinhos e habitado por quintas e quintais da maioria das vacas sagradas que compõem a entourage científica do Ministério. É fácil ver quem é "considerado": quem surge em programas de televisão de forma sistemática (4XCiência é um excelente exemplo, pela RTP, pago por todos nós, e em que habitam as mais estranhas e incompetentes criaturas da nossa praça), os júris, as comissões de honra, os mandatários para a Ciência das mais variadas candidaturas, os supostos peritos que vendem as baboseiras nos noticários, os vaidosos dos eventos científico-sociais, os colunáveis dos prémios da ciência, enfim, toda este conjunto de gente para quem a actividade científica é um trampolim de ascensão social. A ciência-chique. E no meio disto tudo, anda a verdadeira Ciência perdida, anda o dinheiro a ser gasto e as oportunidades a se perderem.
Por mais que se anuncie dinheiro, como investimento ou como despesa, não será nunca possível manter um rumo com mão segura, se não se sabe para onde dirigir a nau. E não serão as paredes dos gabinetes ministeriais interlocutores à altura de qualquer ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Criem-se plataformas de investigadores desalinhados, independentes, criteriosos e honestos, e logo a direcção será clara. Mas investigadores sem pedigree, porque os puro-sangues preferem os ares condicionados dos salões de baile pagos pelo erário público. Gaste-se menos em caviar e marketing, e mais em equipamentos, bolsas, químicos e estágios e ganharemos todos. Sem qualquer dúvida.
Tuesday, May 4, 2010
As portas do cavalo do ensino superior público
Isto da função pública e da docência universitária em Portugal tem muito que se lhe diga. Tapa-se o sol com a peneira para ocultar a realidade do eleitor/contribuinte, inventam-se chavões que se repetem à exaustão, tão vazios de significado que chegam a roçar a idiotice. Como aquele que diz que só se contrata 1 funcionário público no advento da reforma de 2. Pois.
Quando se fala de Ensino Universitário, parece por vezes que não se fala de Função Pública. Mas fala. São todos pagos pelo Orçamento de Estado, que a todos nos custa, e invariavelmente somos confrontados com situações de corrupção, mais ou menos ecandalosa e sistemática, que fazem com que nos lembremos que estamos em Portugal. Se ainda algum de nós tivesse dúvidas.
E onde quero eu chegar? À porta da cavalo da carreira docente universitária, pública, moderna e espertalhoca. Então não é que, em virtude dos constrangimentos de contratações, ditados pelos espartilhos dos défices, os nossos Doutores lá descobriram uma engenhoca administrativa (vulgo "um esquema") para continuar a autoperpetuar a sua influência por bons e longos anos, nos corredores das Universidade e Politécnicos portugueses? Senão, vejamos.
Hoje em dia, temos as contratações congeladas, ou perto disso. E como os critérios das contratações são tendencialmente cada vez mais claros, "fica mal" metermos os familiares de calçadeira. Como metíamos há 20 ou 30 anos, à má fila... "Que chatice, isto de se ser transparente levanta problemas, eu que queria meter o meu afilhado, rapaz cordato e pouco competente, espevitado q.b. só para manter os cães de fila dos outros candidatos à distância, não vai poder entrar neste meu pequeno feudo? Era só o que faltava" - assim pensa o catedrático nacional. Assim, pensa, e pensando, assim criou as "bolsas de interessados". E estas "bolsas de interessados" são hoje em dia aquilo que designo como a porta do cavalo do ensino superior público nacional. Porque nem são concursos, nem nomeações de docentes convidados, nem obedecem a critérios transparentes, nem tão pouco envolvem formalismos processuais que garantam equidade de oportunidades a todos os candidatos "a concurso". Pois nem concursos são!!! As instituições de ensino lançam pedidos, por intermédio de correio electrónico (cuspindo ostensivamente no Diário da Républica), de supostos interessados. Definem perfis mais ou menos abstractos, com algumas indicações das funções a desempenhar, com as características que pretendem em supostos candidatos (como se nós não soubéssemos a quem aquele perfil corresponde), e definem um prazo, findo o qual entronizam o predilecto. E é de predilecto de que se fala, pois não há direito a recurso, reclamação, impugnação ou qualquer outra figura jurídica. Porque quem o faz, fá-lo inteligentemente: no fim desses pedidos que por vezes circulam nas nossas caixas de correio electrónico, o texto de abertura da "bolsa de interessados" é claro - esta abertura não configura qualquer processo de selecção ou concurso, e da decisão não decorre nenhum recurso. Toma lá que já almoçaste.
Depois do predilecto lá estar, é meio (ou mais...) caminho andado para entrar na brilhante carreira académica pública portuguesa. Fecha-se o círculo.
Se isto não é uma legitimação da cunha, então o que é? Se isto não é enganar as pessoas, então o que é? Se isto não é do conhecimento do MCTES, então de quem é? Como é possível chegar-se ao ponto do desplante de inventar tais expedientes para se contratar (leia-se, pagar favores) desta forma? Como é possível que fechemos os olhos? Como é possível que ainda consigamos dar crédito a estes figurões, na rua, na televisão, nos livros, em qualquer lado que seja um espaço de cidadania? Por mim, acho que seria preferível amontoar gravetos e troncos, e queimá-los a todos. Fazer um auto-de-fé com os colunáveis da ciência com letra pequena, em nome da decência, com sardinha assada e arroz doce no fim, mas só para os justos.
Quando se fala de Ensino Universitário, parece por vezes que não se fala de Função Pública. Mas fala. São todos pagos pelo Orçamento de Estado, que a todos nos custa, e invariavelmente somos confrontados com situações de corrupção, mais ou menos ecandalosa e sistemática, que fazem com que nos lembremos que estamos em Portugal. Se ainda algum de nós tivesse dúvidas.
E onde quero eu chegar? À porta da cavalo da carreira docente universitária, pública, moderna e espertalhoca. Então não é que, em virtude dos constrangimentos de contratações, ditados pelos espartilhos dos défices, os nossos Doutores lá descobriram uma engenhoca administrativa (vulgo "um esquema") para continuar a autoperpetuar a sua influência por bons e longos anos, nos corredores das Universidade e Politécnicos portugueses? Senão, vejamos.
Hoje em dia, temos as contratações congeladas, ou perto disso. E como os critérios das contratações são tendencialmente cada vez mais claros, "fica mal" metermos os familiares de calçadeira. Como metíamos há 20 ou 30 anos, à má fila... "Que chatice, isto de se ser transparente levanta problemas, eu que queria meter o meu afilhado, rapaz cordato e pouco competente, espevitado q.b. só para manter os cães de fila dos outros candidatos à distância, não vai poder entrar neste meu pequeno feudo? Era só o que faltava" - assim pensa o catedrático nacional. Assim, pensa, e pensando, assim criou as "bolsas de interessados". E estas "bolsas de interessados" são hoje em dia aquilo que designo como a porta do cavalo do ensino superior público nacional. Porque nem são concursos, nem nomeações de docentes convidados, nem obedecem a critérios transparentes, nem tão pouco envolvem formalismos processuais que garantam equidade de oportunidades a todos os candidatos "a concurso". Pois nem concursos são!!! As instituições de ensino lançam pedidos, por intermédio de correio electrónico (cuspindo ostensivamente no Diário da Républica), de supostos interessados. Definem perfis mais ou menos abstractos, com algumas indicações das funções a desempenhar, com as características que pretendem em supostos candidatos (como se nós não soubéssemos a quem aquele perfil corresponde), e definem um prazo, findo o qual entronizam o predilecto. E é de predilecto de que se fala, pois não há direito a recurso, reclamação, impugnação ou qualquer outra figura jurídica. Porque quem o faz, fá-lo inteligentemente: no fim desses pedidos que por vezes circulam nas nossas caixas de correio electrónico, o texto de abertura da "bolsa de interessados" é claro - esta abertura não configura qualquer processo de selecção ou concurso, e da decisão não decorre nenhum recurso. Toma lá que já almoçaste.
Depois do predilecto lá estar, é meio (ou mais...) caminho andado para entrar na brilhante carreira académica pública portuguesa. Fecha-se o círculo.
Se isto não é uma legitimação da cunha, então o que é? Se isto não é enganar as pessoas, então o que é? Se isto não é do conhecimento do MCTES, então de quem é? Como é possível chegar-se ao ponto do desplante de inventar tais expedientes para se contratar (leia-se, pagar favores) desta forma? Como é possível que fechemos os olhos? Como é possível que ainda consigamos dar crédito a estes figurões, na rua, na televisão, nos livros, em qualquer lado que seja um espaço de cidadania? Por mim, acho que seria preferível amontoar gravetos e troncos, e queimá-los a todos. Fazer um auto-de-fé com os colunáveis da ciência com letra pequena, em nome da decência, com sardinha assada e arroz doce no fim, mas só para os justos.
Sunday, March 1, 2009
Comentário no Jornal Público, 1 de Março de 2009 (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367196&idCanal=58#Commente)
Para além de uma questão de avaliação e caracterização do cenário, que não será assim tão estranho, pelo que a investigadora garantiu cientificidade em algo que a todos nós que somos docentes do Superior já sentimos há muitos anos, eu gostaria de ver um estudo em que fosse estabelecida uma relação causal entre esta situação e os danos para o País que dela advêm. O Estado, por intermédio do Orçamento de Estado, paga o Ensino Superior Público. E depois este mesmo Ensino Superior Público, funciona como mais um factor de diferenciação social, eternizando espirais de pobreza, ou pelo contrário, conferindo títulos nobiliárquicos sempre às mesmas famílias? HÁ aqui uma enorme reflexão a fazer, há que repensar este modelo de acção social escolar, há que equacionar alternativas, há que combater as fraudes no ensino secundário privado, há que combater a influência. Porque tudo isto se repercute depois a vários níveis: eternização de classes dominantes (como a médica), frustração nos candidatos, afastando-os de carreiras para as quais até poderiam ser talhados, e um prejuízo técnico-científico gigantesco, que representa talvez a maior desgraça do nosso País. Mais em scientias.blogspot.com.
Monday, February 23, 2009
As tropelias de um investigador auxiliar
"... e é assim que o Governo quer alavancar o emprego científico. Viveram felizes para sempre."
Podia começar assim o presente post. Eu que até gosto de cascar na pseudo-esquerda que se constitui governo, essa mesma do gestapiano Santos Silva, sem que muitos eleitores se tenham apercebido em tempo útil, i.e., à boca das urnas. De aldrabice em aldrabice, de bem estruturada campanha de marketing em bem elaborada tomada de posição televisionada, cá vamos nós, sem pre a fazer um esforço por engolir a já costumeira posta de bacalhau envolta em paprika de corrupção, que isto de cá passarmos sem levarmos o que de bom tem a vida, não é viver. E de facto o nosso país é naturalmente pródigo em casos de non-sense que fariam qualquer outro cidadão do Mundo rolar de tanto rir, e desistir de trabalhar por tempo indeterminado. Talvez até seja essa a intenção de quem nos dirige, aparvalhar-nos progressivamente até à exaustão intelectual, tanto por intermédio de um discurso ora kafkiano, ora simplesmente esquizofrénico, mas que nos leva a duvidar se ouvimos bem o que pivot dos telejornais acaba sempre de anunciar.
Tenho amigos que são investigadores auxiliares, com os quais privo de forma regular. Na semana passada, estava em amena cavaqueira com um deles, quando casualmente lhe perguntei qual a sua situação. Respondeu-me que iria assinar brevemente o seu 3º contrato consecutivo como investigador auxiliar, e que depois disso, mais uma vez e invariavelmente, não sabia o que o futuro lhe reservava. Chamo a vossa atenção para a reconhecida qualidade deste investigador, que até nem é Português. Começou depois a desfiar o rosário dos disparates habituais a que o nosso Ministériozinho já nos habituou. Todos sabesmos que estes contratos são assinados a 3 + 1 + 1 (anos, leia-se). Enquanto que a ideia original teria sido umae xtensão de um contrato por 10 anos, a realidade foi de tal forma distorcida que temos esta modalidade estranha, mas que tem justificação tanto na falta de inteligência do Governo, como na sua cobardia. Toda gente sabe que contratos a prazo só se podem renovar até um máximo de 3 vezes, excepto se vier lá explícito o contrário. No entanto, e como o Governo receia ter de arcar com mais algumas centenas de funcionários públicos, e relativamente bem pagos (embora o benefício para a Nação seja largamente superior ao que se retira da maioria dos 230 deputados do Hemiciclo, que até recebem mais... e reformas por inteiro após 8 anos, tanta porcaria, doce porcaria) então engendram-se aqui uns contratos de tal maneira sui generis que não se enquadram na lei geral do País no que toca ao regime laboral. Já bastava de termos só investigadores precários, agora até temos tratamento de excepção para os nossos investigadores!! Aberrante, mas de facto de notória excepção.
Nesta coisa de contratar investigadores, houve até alguns laivos de manifestações típicas dos efeitos de alucinogéneos: por incompetência manifesta, houve pagamentos realizados a alguns investigadores auxiliares em LAs deste país que estavam manifestamente errados, para cima!!! E estes investigadores, quando se aperceberam que tinham ganho alguns (muitos) milhares de euros a mais, não fossem eles portugueses, ficaram com o dinheiro. Se calhar, apoiaram-se na jurisprudência de que "ladrão que rouba ladrão...", e ultrapassaram o sentimento de culpa que lhes assolou decerto os seus corações impolutos. Que circo... mas isto não fica por aqui. Como alguns receberam muito a mais, outros houve que não receberem nada, nem sequer o subsídio de férias a que tinham contratualmente direito. Resultado: "será tudo pago no ano vindouro", palavra de gestor da coisa pública. Pois, e foi. Mas quem paga esquece-se do mundo real, aquele a quem temos de prestar contas do que ganhamos e que se chama IRS. Pois bem, estes senhores a quem se pagou indevidamente o subsídio de férias no ano seguinte, viram o rendimento bruto aumentado, pelo que passaram a estar abrangidos por um escalão superior em sede de IRS, pelo que descontaram mais.
Mais: esses investigadores, outrora bandeiras da modernidade do Sistema Científico Nacional, são hoje encarados como indesejáveis, à luz no novo regime jurídico, fundacional, que baliza o panorama universitário público nacional. Centros que os contrataram, e que com eles assinaram contratos, passarão num horizonte próximo a ser unidades orgânicas das Universidades, e casos há em que algumas destas não querem assumir qualquer responsabilidade em manter esta gente. É claro que podemos aqui especular porquê: excesso de qualidade dos investigadores, impossibilidade de estarem sob a alçada do feudalismo vigente (não pertencendo à carreira docente, não estão sujeitos aos caprichos e chantagens das cátedras), independência científica, salários que serão mais um encargo, alguma dose de irreverência saudável. Enfim, são hoje olhados de soslaio por serem aquilo que se pretendia que fossem: bons.
Que circo.
Podia começar assim o presente post. Eu que até gosto de cascar na pseudo-esquerda que se constitui governo, essa mesma do gestapiano Santos Silva, sem que muitos eleitores se tenham apercebido em tempo útil, i.e., à boca das urnas. De aldrabice em aldrabice, de bem estruturada campanha de marketing em bem elaborada tomada de posição televisionada, cá vamos nós, sem pre a fazer um esforço por engolir a já costumeira posta de bacalhau envolta em paprika de corrupção, que isto de cá passarmos sem levarmos o que de bom tem a vida, não é viver. E de facto o nosso país é naturalmente pródigo em casos de non-sense que fariam qualquer outro cidadão do Mundo rolar de tanto rir, e desistir de trabalhar por tempo indeterminado. Talvez até seja essa a intenção de quem nos dirige, aparvalhar-nos progressivamente até à exaustão intelectual, tanto por intermédio de um discurso ora kafkiano, ora simplesmente esquizofrénico, mas que nos leva a duvidar se ouvimos bem o que pivot dos telejornais acaba sempre de anunciar.
Tenho amigos que são investigadores auxiliares, com os quais privo de forma regular. Na semana passada, estava em amena cavaqueira com um deles, quando casualmente lhe perguntei qual a sua situação. Respondeu-me que iria assinar brevemente o seu 3º contrato consecutivo como investigador auxiliar, e que depois disso, mais uma vez e invariavelmente, não sabia o que o futuro lhe reservava. Chamo a vossa atenção para a reconhecida qualidade deste investigador, que até nem é Português. Começou depois a desfiar o rosário dos disparates habituais a que o nosso Ministériozinho já nos habituou. Todos sabesmos que estes contratos são assinados a 3 + 1 + 1 (anos, leia-se). Enquanto que a ideia original teria sido umae xtensão de um contrato por 10 anos, a realidade foi de tal forma distorcida que temos esta modalidade estranha, mas que tem justificação tanto na falta de inteligência do Governo, como na sua cobardia. Toda gente sabe que contratos a prazo só se podem renovar até um máximo de 3 vezes, excepto se vier lá explícito o contrário. No entanto, e como o Governo receia ter de arcar com mais algumas centenas de funcionários públicos, e relativamente bem pagos (embora o benefício para a Nação seja largamente superior ao que se retira da maioria dos 230 deputados do Hemiciclo, que até recebem mais... e reformas por inteiro após 8 anos, tanta porcaria, doce porcaria) então engendram-se aqui uns contratos de tal maneira sui generis que não se enquadram na lei geral do País no que toca ao regime laboral. Já bastava de termos só investigadores precários, agora até temos tratamento de excepção para os nossos investigadores!! Aberrante, mas de facto de notória excepção.
Nesta coisa de contratar investigadores, houve até alguns laivos de manifestações típicas dos efeitos de alucinogéneos: por incompetência manifesta, houve pagamentos realizados a alguns investigadores auxiliares em LAs deste país que estavam manifestamente errados, para cima!!! E estes investigadores, quando se aperceberam que tinham ganho alguns (muitos) milhares de euros a mais, não fossem eles portugueses, ficaram com o dinheiro. Se calhar, apoiaram-se na jurisprudência de que "ladrão que rouba ladrão...", e ultrapassaram o sentimento de culpa que lhes assolou decerto os seus corações impolutos. Que circo... mas isto não fica por aqui. Como alguns receberam muito a mais, outros houve que não receberem nada, nem sequer o subsídio de férias a que tinham contratualmente direito. Resultado: "será tudo pago no ano vindouro", palavra de gestor da coisa pública. Pois, e foi. Mas quem paga esquece-se do mundo real, aquele a quem temos de prestar contas do que ganhamos e que se chama IRS. Pois bem, estes senhores a quem se pagou indevidamente o subsídio de férias no ano seguinte, viram o rendimento bruto aumentado, pelo que passaram a estar abrangidos por um escalão superior em sede de IRS, pelo que descontaram mais.
Mais: esses investigadores, outrora bandeiras da modernidade do Sistema Científico Nacional, são hoje encarados como indesejáveis, à luz no novo regime jurídico, fundacional, que baliza o panorama universitário público nacional. Centros que os contrataram, e que com eles assinaram contratos, passarão num horizonte próximo a ser unidades orgânicas das Universidades, e casos há em que algumas destas não querem assumir qualquer responsabilidade em manter esta gente. É claro que podemos aqui especular porquê: excesso de qualidade dos investigadores, impossibilidade de estarem sob a alçada do feudalismo vigente (não pertencendo à carreira docente, não estão sujeitos aos caprichos e chantagens das cátedras), independência científica, salários que serão mais um encargo, alguma dose de irreverência saudável. Enfim, são hoje olhados de soslaio por serem aquilo que se pretendia que fossem: bons.
Que circo.
Friday, February 20, 2009
Voltei de lá
Voltei de lá, que é como quem diz, voltei de um longo período de ausência em que simplesmente achei não ter suficiente inspiração para continuar na senda da denúncia. Não porque houvesse falta de motivos (essses são sempre bastantes e assaz interessantes - onde já se viu que a porcaria pudesse acabar?), mas cheguei a um ponto de equacionar o porquê da coisa. Neste caso, o porquê desta "coisa" de chamar os bois pelos nomes. Como todos, sem excepção, somos acometidos por uma imenso cansaço e vontade de parar, principalmente quando achamos que corremos sozinho, fiz esta licença sabática exactamente no sentido de re-avaliar o cenário que me fizera empreender a viagem. Reflecti, vi, apreendi, aprendi, e eis-me chegado novamente ao ponto de partida. E porquê? Exactamente pelo facto de que nunca estivemos tão mal. Ou seja, voltei de lá. De onde estive. Do atoleiro em que a Ciência tarda em erguer-se.
Para além de todas as situações embaraçosas, hilariantes, dramáticas, trágico-cómicas, absurdas, enternecedoras que vivi e que descrevi, nada ultrapassa as mais recentes revelações. Então não é que andam aí investigadores que ganharam posições no âmbito do programa Ciência 2008 que se doutoram no dia em que saem os resultados das contratções desse mesmo programa? Então não é que hoje até há doutorados sem licenciatura? Mas o que se passa no reino da macacada? Vamos por partes...
Licenciatura era, no meu tempo, condição sine qua non, para candidatura a um doutoramento. Aliás, era necessário compilar um gigantesco dossier de quase 2 kg de papel, fazendo prova das nossas alegadas habilitações literárias para que os Conselhos Científicos das instituições de ensino superior acreditassem que éramos quem reclamávamos ser. Legitimamente, diga-se de passagem. Não é por querer ser astronauta que o posso ser. Então, criaram-se regulamentos de acesso ao grau de Doutor que impediam o cançonetismo nacional (para não dizer "os verdadeiros artistas") de lá chegar. Pois bem, é que há artistas e "artistas", e há artistas mais dotados do que outras para algumas artes. Há artistas tão bons que chegam ao ponto de não concluirem licenciaturas, e conseguir uma aprovação (vá lá saber-se como, talvez depois do almoço...) de algumas pessoas que deviam estar mais atentas, ou menos sujeitas a cunhas, e que permitem que sejam aceites como alunos de doutoramento. E como em Portugal a exigência é muitas das vezes letra morta, quando se inicia um doutoramento e se tem resistência para aturar a parvoíce da burocracia das instituições públicas, e os maus humores de chefes e azedumes de funcionários admisnitrativos, é quase meio caminho andado para se chegar ao fim. E o fim é apoteótico: grau de Doutor. Por extenso, como convém, para enganar a populaça.De capa e espada.
Depois, a outra metade da alarvidade. Cuidado que nós andamos atentos, parece é que as autoridades não. Senão vejamos: o Compromisso com a Ciência prevê a contratação de doutorados prevê a contratação de gente para suprir as necessidades do sistema científico nacional. O Programa Ciência 2008, apontado como a panaceia por parte do Governo no que diz respeito ao emprego científico, foi apresentado publicamente por um Sr. Sentieiro. Nessas apresentações feirantes foi divulgado como a golden opportunity para doutorados que o fossem há mais de 3 (três, por extenso, para não acharem que me equivoquei a teclar), e a malta acreditou; abriram-se vagas, e a malta concorreu; criaram-se expectativas, e a malta acreditou; foram-se os prazos, e a malta desesperou; saíram os resultados, e malta caiu nela, de que de facto a vida em Portugal não sai do trilho do costume. E com ares de escândalo. Não é que os mesmos pseudo-licenciados concorrem, ganham as vagas, e defendem o doutoramento, e exactamente nesta cronologia??? Não andemos a enganar o povo, e lembrem-se de Guy Fawkes: há-de haver sempre pólvora, para mandar pelos ares a trampa que alguns insistem ser. É só uma questão de tempo.
Para além de todas as situações embaraçosas, hilariantes, dramáticas, trágico-cómicas, absurdas, enternecedoras que vivi e que descrevi, nada ultrapassa as mais recentes revelações. Então não é que andam aí investigadores que ganharam posições no âmbito do programa Ciência 2008 que se doutoram no dia em que saem os resultados das contratções desse mesmo programa? Então não é que hoje até há doutorados sem licenciatura? Mas o que se passa no reino da macacada? Vamos por partes...
Licenciatura era, no meu tempo, condição sine qua non, para candidatura a um doutoramento. Aliás, era necessário compilar um gigantesco dossier de quase 2 kg de papel, fazendo prova das nossas alegadas habilitações literárias para que os Conselhos Científicos das instituições de ensino superior acreditassem que éramos quem reclamávamos ser. Legitimamente, diga-se de passagem. Não é por querer ser astronauta que o posso ser. Então, criaram-se regulamentos de acesso ao grau de Doutor que impediam o cançonetismo nacional (para não dizer "os verdadeiros artistas") de lá chegar. Pois bem, é que há artistas e "artistas", e há artistas mais dotados do que outras para algumas artes. Há artistas tão bons que chegam ao ponto de não concluirem licenciaturas, e conseguir uma aprovação (vá lá saber-se como, talvez depois do almoço...) de algumas pessoas que deviam estar mais atentas, ou menos sujeitas a cunhas, e que permitem que sejam aceites como alunos de doutoramento. E como em Portugal a exigência é muitas das vezes letra morta, quando se inicia um doutoramento e se tem resistência para aturar a parvoíce da burocracia das instituições públicas, e os maus humores de chefes e azedumes de funcionários admisnitrativos, é quase meio caminho andado para se chegar ao fim. E o fim é apoteótico: grau de Doutor. Por extenso, como convém, para enganar a populaça.De capa e espada.
Depois, a outra metade da alarvidade. Cuidado que nós andamos atentos, parece é que as autoridades não. Senão vejamos: o Compromisso com a Ciência prevê a contratação de doutorados prevê a contratação de gente para suprir as necessidades do sistema científico nacional. O Programa Ciência 2008, apontado como a panaceia por parte do Governo no que diz respeito ao emprego científico, foi apresentado publicamente por um Sr. Sentieiro. Nessas apresentações feirantes foi divulgado como a golden opportunity para doutorados que o fossem há mais de 3 (três, por extenso, para não acharem que me equivoquei a teclar), e a malta acreditou; abriram-se vagas, e a malta concorreu; criaram-se expectativas, e a malta acreditou; foram-se os prazos, e a malta desesperou; saíram os resultados, e malta caiu nela, de que de facto a vida em Portugal não sai do trilho do costume. E com ares de escândalo. Não é que os mesmos pseudo-licenciados concorrem, ganham as vagas, e defendem o doutoramento, e exactamente nesta cronologia??? Não andemos a enganar o povo, e lembrem-se de Guy Fawkes: há-de haver sempre pólvora, para mandar pelos ares a trampa que alguns insistem ser. É só uma questão de tempo.
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