Caros companheiros de viagem, começo a ficar com a impressão de que este país institucional, para além de louco, está a tentar activamente transformar os portugueses em loucos. Pelo menos aqueles que ainda resistiam, que vão sendo tentados a alinhar na génese de um processo de enlouquecimento nacional, que vai culminar ou com uma revolução, ou com uma grande tourada à Portuguesa. Falo desse órgão de soberania da Républica da Loucura que é a FCT. Novamente.
Pois é, e eis-nos chegados a Abril do ano da graça de 2008. Para quem teve ideias transpostas para o papel em 2006, e submeteu projectos nessas calendas idas, pode ser que se aproxime o momento da verdade. E digo "pode" porque parece que ninguém sabe realmente de nada. Pelos vistos "é suposto" algo, mas ninguém sabe muito bem o que é que "é suposto", nem tão pouco quando algo "é suposto" acontecer... Eu acho que a FCT devia assumir-se com um slogam, porque seria sinónimo de modernismo: "Se tiver dúvidas, ligue-nos; todos ficaremos a saber menos. Para um Portugal mais ignorante, disque 213924300". Quem liga, desespera, tal a sensação de ignorância generalizada. Fala-se com uma das "meninas" e invariavelmente, sem que eu tenha razões para duvidar da sua honestidade, a resposta surge pronta e monocórdica: "não temos informações a prestar", "não fomos informados dos prazos", "não sabemos quando vai ser constituído o júri de recurso", e para cúmulo um "espero que os resultados dos recursos sejam divulgados antes do próximo concurso". Pois, eu também espero. Será isto que é suposto ser suposto?
Datas de comunicação definitiva de resultados de projectos, nicles. Constituição de paineis de juris de recurso, nem vê-los. Datas de novos concursos, ninguém sabe, nem mesmo sequer se vai haver novos concursos. Data de demissão do presidente, ninguém sabe se a FCT tem presidente.
Mas existe pelo menos uma voz amiga do outro lado da linha (como se eu buscasse amizade através de um telefone...): "Sr. Professor, apresente uma reclamação junto do Prof. João Sentieiro, talvez resulte assim." Logo seguida de uma deprimente manifestação de impotência: "É que nós aqui não sabemos de nada, ninguém nos diz nada". Fico sempre com vontade de depositar um vintém na mão da menina, e acelerar o passo para não ouvir o murmúrio velado do lamento e do choro dela, que ficou no calabouço da Av. D. Carlos I...
Urge reflectir, e agir. Eu cada vez mais acredito que isto é um teste à inteligência, à boa educação, ao sentido cívico dos cientistas portugueses, à paciência, à simpatia, e acima de tudo ao bom senso. Cada vez mais existe menos informação, e simultaneamente nunca se viu tanto anúncio de medidas desenquadradas e avulsas ( e demagógicas, e populistas, e falaciosas) pelo governo. Até onde estamos nós, cientistas portugueses e pessoas de bem, dispostos a aceitar que o nosso esforço intelectual seja desprezado de forma tão descarada por uma organização desorganizada e que serve unicamente projectos políticos pessoais? Esta é a questão que deixo aqui: até onde estamos dipostos a deixar que gozem connosco?
Monday, April 14, 2008
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
1 comment:
Na sequência da sua pergunta: até onde estamos dispostos a deixar que gozem connosco? Eu respondo, de forma simples e educada para quem já não toma prozac há algum tempo. Vamos fazer um piquenique-manifestação no Palácio das Laranjeiras para que nos dêem um bilhete de avião para sair deste manicómio o mais depressa possível... E ainda há alguém que queira vir para este paraíso? Só se for em férias e com disfarce para não parecer que viveu por estas bandas.
Post a Comment